Giovanni Brescancini Picchiotti

02/12/2016

02/12/2016

Aquela futilidade que eu não pude sentir
Soa tão profunda para mim
Como será que eles sentiram aquilo tudo, sabe?
Com uma alma e sentimentos iguais aos meus
Razão igual a minha
Como será que foi experimentar o mundo do qual eu fui privado?

Se afundarem naquela perversão
Naquela luxuria
Socialmente aceitável
E eu aqui, um enorme estranho, sick fuck, doente
Tão estranho essa linha
Conectar dois lados tão normalmente tidos como antagônicos

Os reis da noite… e aqueles que não dormem à noite
Que não vivem de manhã
Cuja existência se relega a um submundo qualquer por aí
E o que é a existência, afinal?
What’s our life supposed to be?

Não me refiro ao clichê comum
Sou inteligente demais pra isso
É claro que estamos aqui sem motivo
E que todos vamos morrer
Mas como uma pergunta retórica
Eu quero viver obedecendo ao que me guiam todas essas instituições?

Por que não saímos de casa sem rumo à noite?
Por que não vivemos desapegados, constantemente nos misturando
Sem casa, no calor da rua
Pode ser frio, talvez
Mas por que eu tenho que estar preso aqui?
Todos nós
Pensando e refletindo sempre
Tanto tempo livre, tanto conteúdo
Tanta tristeza, melancolia

E TANTO ÓDIO
TANTO ÓDIO QUE EU SINTO
NÃO SEI DO QUE OU DE QUEM
Mas que eu sinto, e que se arrasta no fundo da minha alma
E essa força que eu sinto ter
Força pra que?
Revolta quanto ao que?

Voltando, ignorando esse deslize, esse impulso, essa inconstância
Esse ponto fora da curva que se repete tanto na minha vida
Que torna a minha vida um ponto fora da curva
Eu me lembro de quando ela dizia que queria viver cantando pros cachorros na rua
Minha garota malvada
Ou melhor, minha vítima da conspiração das garotas malvadas
Ou talvez de todo o resto da escola
Ou do bairro, não sei


E eu soo tão estúpido dizendo isso
Acreditem, no entanto, essa não é a questão central
.
Quem era ela quando eu gostava dela?
Quando eu me apaixonei pela primeira vez?

É nisso que temos que pensar
Nesse cirquinho fútil que eu queria me envolver
No qual eu achava, do fundo da alma, que ela poderia me colocar
E me dar vida
E me dar vida, porque toda essa minha profundidade
Toda essa minha intelectualidade
Minha genialidade
Minha sentimentalidade
Minha personalidade
Minha arrogância
Minha nobreza
Minha perfeição
Tudo isso
Tudo isso que eu sou
Tudo isso que eu me tornei
Toda a minha percepção da realidade
O que diabos eu estou falando, cara?

O que raios é “percepção da realidade”, afinal?
É tanto nonsense que pareço Sokal
Mas esse nonsense compõe quem eu sou
Eu não sou toda essa beleza e esse formalismo que expresso com a boca
Eu sou minha selvageria e minha dúvida que se manifestam dentro de mim
Eu sou aquilo que eu não consigo nunca expressar
Eu sou aquilo que quero que ela leia com os olhos
Eu sou as minhas prisões, e a minha maior liberdade
É me afogar nesse mar de lama sozinho

Mar de lama sozinho?
Ou mar de lama acompanhado?
Os dois me libertam, pra frentes diferentes
O importante é sentir, e esquecer
Ao mesmo tempo em que lembro e experimento
E apreendo
O que de outra forma eu não poderia apreender

Eu sou intelectual?
Eu sou boêmio?
Intelectuais são boêmios?
Boêmios são intelectuais?
Será que eles são o marco da linha tênue entre outcast e plastic?
Na verdade não
São do primeiro grupo
São estranhos mesmo

E eu sempre vou ser
Mesmo que me travista de normal
Mesmo que…
Isso dói
Mas não dói
Sangra tão gostoso
Porque eu sou melhor que eles
Melhor que todos eles
Melhor que os estranhos e que os comuns
Superior em every way

Ou sou um fracassado?
Pior que eles em tudo?
Me lamentando aqui de madrugada?
E da onde aquela raiva que eu senti antes vinha?
.
EU NÃO SOU .
EU NÃO SOU .
Ou sou
No que vejo essa voz afinando, não é?
Há algo que me castra, será?
Não, não há
Meu apoio é por interesse, é por controle
Controle
Controle
E todas marionetes
É isso
Bem legal
Tudo uma questão de pragmatismo
Está tudo tranquilo
Ninguém vai entrar na minha mente, não
E sair vivo, pelo menos

Enfim
Mudando bruscamente
Voltei pra ler e
.
Ela era a minha incompreendida e ao mesmo tempo popular
Fofa e ao mesmo tempo mal vista
Detestada e julgada, mas ao mesmo tempo tão simpática
E eu .
Mas ?
Será ?

Quando será que eu vou achar minha galera?
Será que eu quero achar?
Será que eu sou o único bonito desse grupo?
Meus amigos sempre me decepcionando
Sempre me envergonhando
Mas quem não o faria?
Eu sou um Deus
De novo, melhor que todo mundo
Do outro lado, também não são melhores que eu não
Todos burros
Todos previsíveis
Nada como eu
Nada como a arte pura
Nada como ser um Kanye West
Na verdade
Eu não sou um Kanye West
O Kanye West é um Giovanni Picchiotti
Ou, ao menos, tenta ser

Vantagem dele é que ele tem a Kardashian ao seu lado
Pra ficar chorando por um brinco de diamantes
Qual é, Giovanni?
Você sabe que detestaria isso
Você pede por tudo, uma menina mimada, e a Alícia era o que?
Alícia, Aline, não sei
Aline, na verdade
Alícia é outra coisa
Não que mimada ela não seja, né?
Mas é um contexto diferente
Ela pode, não?
Não, não pode
Ou pode
Que vontade de aceitar e que ódio desgraçado ao mesmo tempo, não?
Mas enfim, a Aline me enjoou em duas palavras
Ai meu Deus
Mas quem não?
Por que não só me servem e vazam?
Ou me servem pra sempre, se eu quiser?
Meus amigos e todos com quem me envolvo, por que eles não o fazem?

E por que eu sempre solto é esse nonsense?

Pff
Precisava ser tão aberto assim?
E por que o medo de parecer ?
Não, você não é.
Já falamos sobre definir palavras
Mas o te castra, hein?
É ESTRATÉGIA, NÉ? HAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHHA
Eu não sei que cazzo acontece

Não sei como essa merda me assusta
Fraqueza deveria era dar pena
E não impor medo ou respeito
Vão fazer o que, me xingar até eu morrer?
Quero parar
Já deu.