Giovanni Brescancini Picchiotti

10/05/2020

10/05/2020

Tremiam-me as mãos ao descer aquela rua
Tão enraizada esperança nunca se esvaía
Paraíso que um dia alvejava no ouro daquelas paredes
Desfigurava-se

E meu único elo, o quão fraco quanto fosse
A manter-me são ante todo aquele cristal desespero
Conforme cada tijolo caía
Minha cabeça eu baixava

De cada face fugia
Como um espírito, dos vivos a se esconder
Era aquela a minha morte
Pois retornara aquela a ser minha vida

Tão vazia
Abandonado

Dor minha, tão minha
Quanto os pesadelos que me perseguem todas as noites
Tão minha
Quanto o sangue que corre nas minhas veias


Minha, minha, tão minha
Quanto você é e você sempre será

Não nasci para
Aquele paraíso no seu sorriso
Aquele Porto Seguro, a aceitação


Que eu amo tanto

Com quem eu incondicionalmente empatizo
Mas eu não consigo escapar!
Dos pesadelos que me perseguem todas as noites
Da minha obsessão instantes todos

Por que?
Eu não me orgulho de nenhuma dessas palavras!
Por que não continuamos gostando um do outro?
Por que não se entregou a mim?

Por que não mais sorri a responder as minhas mensagens,
ao pensar em mim?
Por que não somos mais aqueles dois recém-conhecidos,
madrugadas a virar?

Por que eu fui ser essa escória,
a qual nenhuma joia consegue limpar?
Uma toga estúpida, não me tornaria melhor julgador.
Nem nada que eu fizesse.

Você não é minha, não é.
Você é alguém que eu amo tanto,
e tanto quero que seja feliz.
Que eu já fiz feliz.

Por que não nos abraçamos mais?
O que eu fiz?
Eu sei o que eu fiz.
Por que fui ser punido assim?

Tanto dói, tanto dói.
Que alguns pecados não tem perdão.
Alguns erros não tem reversão.
Ainda mais pois, até hoje, e quando seja…

A reincidência nunca cessará.
Porque não é uma toga estúpida,
qualquer diploma ou dinheiro,
o rosto ou o corpo mais perfeitos.

Tende misericórdia de mim
Misericórdia
de
Mim

Por que você
Por que você, de todas as pessoas
Por que você
Como eu me arrependo de tudo

Pesadelo que me persegue
Dormindo ou acordado
Ao peito doutra garota ou sozinho
E não é uma melodia estúpida

Um livro estúpido
Um presente estúpido
Não há nada nesse mundo
Nada

Essa é a minha maior punição


Talvez eu não seja tão mau assim


Além de mim

Além da Terra,
além dos olhos,
além de qualquer predicabilidade,