Eu queria entender…
… porque nós morremos antes de começar,
… porque tanto sorriu, se nunca me quis,
… porque me fez sonhar, se, tão facilmente, iria partir.
Eu consigo entender…
… porque gostei de você.
Talvez não por bons motivos.
Talvez não como você mereceria…
… por quem quer que escolha para passar a vida.
Ainda assim: fiquei preso…
… não sei se por muito tempo…
… mas cada segundo de dor, a eternidade parece.
E dessa dor, decido: quero casar com você.
Ter nossos cinco filhos numa cidade do interior.
Te amar sempre, não importa o quanto doa.
Promessa leviana, irresponsável,
que eu não sei se cumpriria, de fato.
Só que esse vislumbre hoje é tudo o que eu quero e,
se se vai durante a noite, de dia volta.
Meu alarme de bom dia:
acordar com dor de cabeça pensando em você.
Não é amor, não é paixão: é limerência.
Não sei se é patológico, mas é neurótico e faz mal.
(um pouco: está dando para viver, kkk.)
De toda forma, dele me encontro refém,
e por mais um tempo, assim será.
Até que, um dia, não fará mais sentido.
Sei disso.
Por ora, penso em formas de,
até esse dia chegar, reverter curso.
Seja um encontro em data futura,
corrigido tudo o que possa ter te incomodado,
ou, desde logo, achar o exato ponto que abala sua intensidade.
Penso em, de alguma forma, nos levar para a cama,
e torcer que isso resolva: que te faça gostar de mim.
Que você fique indo e voltando, como parece ser seu jeito,
me matando de dor cada vez que se afasta, e de amor sempre que volta.
Ou, se assim não for: ufa!
Serão cinco filhos, antes de fechar a fábrica.
Todos educados com educação não-violenta,
por pais que querem um ao outro pela vida toda.
E um pai que não olha para qualquer outra mulher.
É um delírio, não vai dar certo,
mas minha imaginação é terreno fértil,
e de tão fértil, espero eu,
que floresça uma nova realidade,
em carne e osso.

