Eu só queria transformar as noites em manhãs.
Limpar meu corpo com uma faca,
e da sangria cicatrizar as feridas.
Só queria nascer mais uma vez,
com minha mente vazia,
e meu eu atual morto.
Eu só queria esquecer de tudo o que aconteceu.
De todos os meus motivos incompreensíveis para ser assim.
Meu boicote insistente à minha própria felicidade.
Por que fui crescer assim?
Com a faca e o queijo na mão.
Uma boa família sobre mim, um bom eu em mim.
Dinheiro na conta, beleza no rosto.
E toda a genialidade na cabeça.
Uma menina estranha e perfeita ao meu lado.
Por que eu fui crescer a me odiar?
Quando está indo tudo tão bem, passo-a-passo…
Ela não me julga, e sorri de volta para mim.
Me deu a melhor noite da minha vida,
embora eu não creia que tenha sido a dela.
Mas de que importa? Ela gostou, e foi especial o bastante.
Passo-a-passo, começa a haver vislumbres de um futuro.
Eu me afobo. Ela francamente não ligo para essa afobação.
Mas eu double-down: me afobo por ter me afobado e o ciclo se repete.
É só se acalmar.
Eu sei que ela não vai embora.
Eu sei como nosso futuro vai florescer.
Então… Por que me colocar na frente do meu próprio caminho?
Como já fiz tanto nessa vida.
Como motivou esse poema.
Essa garota é incrível, mas o poema não é para ela.
É para mim mesmo, Giovanni.
Acordado enquanto eu deveria dormir.
Criando mais um problema que eu poderia evitar.
Por que eu não poderia ser só mais uma ovelhinha?
Contente com essa vida ajeitada pelos deuses para mim.
Eu quero e eu preciso mudar.
Mas essa é uma promessa que eu faço a tanto tempo…
Me perdi em tantos terapeutas,
eu tantas companheiras,
em tantas estratégias.
É difícil dizer que é por mim,
quando eu me doo tanto assim.
Eu não negaria dizer que é por ela.
Mas é por mim.
Por que querer ser uma criança dependente?
Por que sonhar em ser vulnerável e se expor tanto?
É bonitinho, eu sei, mas para que?
Por que me é tão difícil desafiar isso?
Por que já parece uma luta perdida?
Por que é tão difícil… acordar desse ciclo?
The system is rigged,
and we all know the rigger…
Ele é loiro, alto, inteligente, bonito.
Sádico, manipulador, egoísta, masoquista.
O que se passa na cabeça da ?
O poema não é sobre ela, voltemos.
Aliás, isso não é um poema, é uma aberração.
Um retrato bem-feito de mim,
das minhas frustrações,
da minha alma perversa.
Que sono.
Quanto sono.
Por que comecei a escrever, mesmo?
Por que odiar quem mais tolerou você?
Como sempre, piadas sobre esconde-esconde.
Anedotas sobre balaclavas e máscaras.
Esse registro é vergonhoso,
mas a minha vida toda é.
Limpar meu corpo com uma faca,
e deixar o sangue infectar as minhas feridas.
Rasgar meus olhos fora,
e perder o dom de ouvir.
Morrer.
E esquecer de tudo o que já aconteceu.
O que te lembra isso?
Aff! Não quero trabalhar amanhã.
E tudo acaba bem, porque é só se esconder numa mentira.
O presidente do mundo, fala de rios de sangue.
Mas não sei se tiraria uma sequer gota.
E bom… tenho meu ombro amigo.
Meu travesseirinho e meu depósito de .
Quero que “alguém” seja mais do que isso.
Xoxo

