Giovanni Brescancini Picchiotti

Carta

Carta

Estranho? Talvez. Seu? Com certeza.

Você jamais imaginaria até onde eu iria pelo meu Desejo por você.
Te quis tanto ao ponto de não te buscar, para que buscasse melhor outro dia.
Vivi arrepiado, me contorcendo, à minha revelia…
… mas sabia que esse era o preço para, sem mentir, poder sonhar com você.

Eu preciso me tornar o homem que quero ser.
Aquele que te daria segurança, mesmo que estivesse trêmula, mesmo que estivesse brava, mesmo que estivesse fechada, com o corpo comigo e a alma em outro lugar.

Me tornarei aquela pedra firme que se refrescará em suas ondas, tão fortes quanto sejam.
Me tornarei aquele pilar, que sustentará todo o peso de sua profundidade.
Me tornarei aquela moldura, dentro da qual poderá viver a sua arte: colorida, vaidosa e preta e branca.
Me bastarei como porto seguro. Não oscilarei quando inseguro. Não me retrairei quando complicado.

Lá estarei, posto e exposto, para o meu espelho quebrado.
Adentrarei a fenda que vislumbrei de seu mundo mágico.
E lá reinaremos, no nosso império a dois.